Resistir com Esperança: A Forma Mais Nobre de Não Desistir

Há quem confunda resiliência com resistência cega. Mas resistir, no sentido mais humano, não é endurecer — é permanecer fiel ao que acreditamos, mesmo quando tudo à volta convida à desistência. A verdadeira resiliência não nasce da negação da dor, mas da capacidade de atravessá-la sem perder o sentido.

Vivemos tempos difíceis para a esperança. As crises acumulam-se, as certezas dissolvem-se, e o cansaço instala-se como um ruído de fundo. Tornou-se fácil descrer, afastar-se, proteger-se do mundo. Mas é precisamente nesse momento que a esperança deixa de ser uma emoção e passa a ser uma escolha consciente.

Resiliente não é quem nunca cai, mas quem se recusa a aceitar que a queda seja o fim. É quem insiste em cuidar quando seria mais cómodo desistir, em dialogar quando o conflito parece inevitável, em acreditar quando a evidência sugere o contrário. A esperança verdadeira não é passiva — trabalha, constrói, insiste.

Talvez não nos caiba mudar o mundo de uma só vez. Mas cabe-nos não contribuir para a sua desistência. Cada gesto de justiça, cada palavra honesta, cada ato de bondade é uma forma discreta de resistência. São essas pequenas fidelidades que, somadas, impedem o colapso do humano.

Num mundo cansado de promessas vazias, a resiliência ligada à esperança é um compromisso silencioso: continuar, apesar de tudo. Não porque seja fácil, mas porque é necessário. Não porque garantamos vitória, mas porque desistir seria abdicar daquilo que nos torna humanos.

E enquanto houver quem resista com esperança, o mundo — mesmo ferido — continuará a ser um lugar possível.

 

© Pedro Miguel Rocha