Falar do futuro é, quase sempre, falar de incerteza. Mas olhar para as novas gerações é falar de possibilidade. Entre diagnósticos pessimistas e previsões apressadas, esquecemo-nos muitas vezes de algo essencial: cada geração carrega não apenas os erros herdados, mas também a capacidade inédita de os corrigir.
Os jovens de hoje crescem num mundo mais complexo, mais exposto e mais exigente do que qualquer outro antes deles. Têm acesso a tudo, mas raramente a tempo; conhecem o mundo inteiro, mas procuram o seu lugar; vivem ligados, mas desejam sentido. Não são frágeis — são sensíveis a um tempo que mudou de escala. E essa sensibilidade, tantas vezes criticada, pode ser precisamente a sua maior força.
Há nesta geração uma consciência nova: da urgência climática, da justiça social, da diversidade humana, da saúde mental. Onde outros viam normalidade, eles veem problema; onde havia silêncio, exigem voz. Não por rebeldia vazia, mas por intuição ética. O futuro começa sempre quando alguém se recusa a aceitar que “sempre foi assim”.
Claro que erram. Como todas as gerações erraram. Mas errar é parte do crescimento — e crescer é a única forma legítima de avançar. O verdadeiro risco não está nos excessos da juventude, mas no cinismo dos que desistiram de esperar. Um mundo governado apenas pelo cansaço nunca será um mundo justo.
Talvez o futuro não precise de ser previsto, mas acompanhado. Ouvido. Protegido. As novas gerações não pedem um mundo perfeito — pedem um mundo habitável, digno, possível. Cabe-nos não lhes retirar essa possibilidade com o peso das nossas desistências.
O futuro não é uma abstração distante. Tem rosto, inquietações, perguntas difíceis. E enquanto houver jovens dispostos a questionar, a cuidar e a imaginar diferente, haverá razões para acreditar.
Porque o futuro nunca nasce do medo — nasce sempre da esperança que alguém teve coragem de assumir.
© Pedro Miguel Rocha