Chamou-se o nome.
Levantou-se devagar.
O papel tremia-lhe ligeiramente nas mãos.
Começou a ler em voz alta. A voz saiu frágil, insegura, mas não recuou. Houve um momento em que pareceu perder-se numa frase. Parou. Respirou. Continuou. A sala inclinou-se para a frente, não por obrigação, mas por cuidado.
Quando terminou, o silêncio foi limpo. Não houve comentários, nem pressa.
Sentou-se com um suspiro discreto, como quem atravessou algo importante sem saber bem o quê.
A aula seguiu.
Mas aquela leitura ficou ali, suspensa, a ensinar coragem a quem soube ver.
© Pedro Miguel Rocha