Chovia com persistência, uma chuva cerrada, quase obstinada. As gotas batiam na janela como dedos impacientes. Alguns alunos desviavam o olhar para fora enquanto eu falava, presos àquela insistência cinzenta do céu.
Não os chamei de volta.
A escola não compete com a chuva — aprende a coexistir com ela.
A aula avançou mais devagar, num ritmo imposto pelo som constante da água. As palavras caíam com mais cuidado, como se procurassem não se perder no ruído. E talvez por isso tenham ficado. Há dias em que aprender é apenas acompanhar o tempo como ele vem.
© Pedro Miguel Rocha