Abriu o caderno com um cuidado excessivo, como se temesse perturbar algo frágil. As páginas estavam cobertas de rasuras, setas, palavras escritas e riscadas, tentativas interrompidas a meio do pensamento. Não havia ali beleza formal nem respostas perfeitas.
Havia trabalho.
Observei aquelas páginas durante alguns segundos. Vi nelas a história invisível de alguém que insiste, que erra, que volta atrás e tenta outra vez. Na escola, esse esforço silencioso é uma forma de coragem que raramente recebe aplausos.
Mas é ali, quase sempre, que a aprendizagem acontece.
© Pedro Miguel Rocha