Fiz a pergunta com naturalidade, como tantas outras antes.
Esperei a resposta quase por hábito.
Ela não veio.
O silêncio instalou-se lentamente, sem violência, como um nevoeiro discreto que vai ocupando o espaço sem pedir licença. No início, alguém mexeu-se na cadeira. Depois, ninguém. O silêncio deixou de ser incómodo e começou a pesar, como se tivesse adquirido corpo.
Não o interrompi. Há silêncios que não são falha — são trabalho interior.
Quando finalmente alguém respondeu, fê-lo com uma voz mais firme do que o habitual. Já não falava apenas para mim. Falava para aquele intervalo de tempo em que todos pensaram, erraram mentalmente, corrigiram-se em segredo.
A resposta foi certa.
Mas foi o silêncio que ensinou.
© Pedro Miguel Rocha