Estava a meio da explicação quando me interrompeu.
Não foi rude, nem impulsivo.
Levantou a mão como quem pede licença para atravessar um pensamento.
Pediu que explicasse de outra forma. Não porque não estivesse a ouvir, mas porque ainda não tinha encontrado lugar para aquilo dentro de si. Aceitei. Voltei atrás, mudei o caminho, procurei outras palavras.
Enquanto falava, percebi que os outros escutavam com mais atenção do que antes. Aquela interrupção não era individual — representava muitos.
Às vezes, basta um aluno ter coragem de parar a aula para que todos avancem.
© Pedro Miguel Rocha