Nenhuma dor chega inteira ao nosso entendimento.
Primeiro fere, depois cala, depois fica.
Só mais tarde, quando o coração já não sangra da mesma forma, começa a ensinar.
Há sofrimentos que nos despem do supérfluo
e nos deixam diante do essencial:
quem somos, o que amamos, aquilo sem o qual a vida perde verdade.
A dor não é bela.
Mas pode tornar-se profunda.
E, quando atravessada com coragem, pode abrir em nós uma humanidade que antes desconhecíamos.
Há lágrimas que não nos diminuem.
Purificam-nos.
© Pedro Miguel Rocha