Tudo passa.
Não como ameaça, mas como verdade.
Passam os dias, os rostos, as estações, as versões de nós que julgámos definitivas.
Passam certezas, medos, urgências, promessas.
E, no entanto, algo em nós procura permanência.
Talvez viver seja aprender a amar o transitório
sem exigir que ele seja eterno.
A beleza de um instante está precisamente na sua fragilidade.
O que é breve pede-nos presença.
O que passa ensina-nos gratidão.
E só quem compreende a brevidade
aprende a habitar a vida com reverência.
© Pedro Miguel Rocha